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Sabe o que faz do artista um cavalheiro?
No banco de trás, estava caminhando pela rua, no meio da madrugada. E lá, vi os sujeitos doidos e sujos daquela terra, longe da civilização. Um cigarro aqui, um trago ali... uma motocicleta passando, e outra... e aquela rua que não tinha mais fim. Ora escura, ora toda brilhante e enfeitados os becos, mas ainda assim não tinha fim. E uma motocicleta passava, e outra... que saudades dos meus Charlie Parkers.

Becos de um idiota.
Uma lágrima querendo explodir no peito... mas longe da cara. Bem diferente da minha vergonha, que nela apresentava-se bem ali, estampada.
Sabe o que faz de um poeta um amante? Talvez seja preciso muita análise desse assunto. Talvez a vontade de partir a cara do sujeito que o ameaça ali. Talvez a vontade simplesmente de sumir, de nunca mais fazer aquilo que o coração manda, por obediência apenas. Queria apenas um carinho, uma palavra de afeto, pra tentar reequilibrar minhas atidudes. Atitudes? Elas são realmente o perigo que trava as obsoletas frases de um sonhador, de um imbecil que nada faz a menos querer ser feliz, e estupidamente tentar surpreender com suas atitudes idiotas. Não que suas atutudes sejam idiotas, mas elas acabam sendo por si próprias, por não conseguirem em hipótese alguma passar de uma "atitude".
Sabe o que faz de um artista um palhaço? Talvez seja preciso muita análise desse assunto. Por onde entrei foi a porta que me fez sair, e aquela cara de sorriso estampado que eu dava ali de presente quando entrei foi-se junto com as expectativas pelo ralo do chuveiro. Ao menos a água era estupidamente quente de boa.
Sabe o que faz um sonho ser real? Talvez seja preciso muita análise desse assunto. No banco de trás, caminhei à minha loucura, e encontrei minha possível lucidez para entender que fingira a mim mesmo que são de idiotas que se compõem o amor.
No banco de trás, nunca foi tão ruim não ser ignoradamente visto por nenhum táxi. Nesta noite, aprendi como não o fazia há muitos anos.



Creck postou às 02h53
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Quem não gosta de ser amado? Ser paparicado? Receber atenção especial, presentinhos e beijinhos doces?
Quem não gosta de surpresinhas gostosas, beijo na boca e abraços apertados?
Quem é que de livre e espontânea vontade prefere a solidão a uma boa companhia?

Pressa?
Luiz Fernando Veríssimo

Ora, todo mundo quer uma boa companhia e de preferência para o todo sempre. Mas conviver com essa "boa companhia" diariamente por 3, 5, 10, 15, 25 anos é que é o difícil. No começo dos relacionamentos e até 1 ano de vida amorosa tudo são mais ou menos flores, (se o seu elacionamento tem menos de um ano e já é mais de brigas e discussões, caia fora dessa fria). Não adianta você dizer que depois de três meses apenas que "encontrou o amor de sua vida", porque o amor precisa de convivência para ser devidamente testado.
Nesse mundo maluco e agitado, as pessoas estão se encontrando hoje, se amando amanhã e entrando em crise depois de amanhã. Uma coisa frenética e louca que tem feito muita gente, que se julgava equilibrada, perder os parafusos e fazer muita besteira.
Paixão, loucura e obsessão, três dos mais perigosos ingredientes que estão crescendo nos relacionamentos de hoje em dia por causa da elocidade das informações e o medo de ficar sozinho. As pessoas não estão conseguindo conviver sozinhas com seus defeitos, vícios e qualidades, e partem desesperadamente para encontrar alguém, a tal da alma gêmea, e se entregam muitas vezes aos primeiros pares de olhos que piscam para o seu lado. Vale tudo nessa guerra, chat, carta, agência, festas e até roubar o parceiro de alguém. É uma guerra para não ficar sozinho. Medo? Com medo de se encarar no espelho e perceber as próprias deficiências? Com medo de encarar a vida e suas lutas? Então a pessoa consegue alguém (ou acha que está nascendo um grande amor), fecha os olhos para a realidade e começa a viver um sonho, trancado em si. Mesmo, nos quartos e no seu egoísmo, a pessoa transfere toda a sua carência para o (a) parceiro (a), transfere a responsabilidade de ser feliz para uma pessoa. Que na verdade ela mal conhece. Então, um belo dia, vem o espanto, a realidade, o caso melado, o "falso amor" acaba, e você que apostou todas as
suas fichas nesse romance fica sem chão, sem eira nem beira, e pior: muitas vezes fica sem vontade de viver. Pobre povo desse século da pressa! Precisamos urgentemente voltar o costume "antigo" de "ter tempo", de dar um tempo para o tempo nos mostrar quem são as pessoas. Namorar é conhecer, é reconhecer, é a época das pesquisas, do reconhecimento ...
Se as pessoas não se derem um tempo, não buscarem se conhecer mais, logo em breve teremos milhares de consultórios lotados de "depressivos" e cemitérios cada vez mais cheios de suicidas "seres cansados de si mesmos ...".
Faça um bem para si mesmo e para os outros, quando iniciar um relacionamento procure dar tempo para tudo: passeie muito de mãos dadas, converse mais sobre gostos e preferências, conheça a família e mostre a sua, descubra os hábitos e costumes.
Parece careta demais? Que nada, isso é a realidade que pode salvar o relacionamento e muitas vidas.
Pense nisso e se gostar, passe essa mensagem para frente; quem sabe se juntos, não ajudamos alguém carente de amor a encontrar um motivo para ser feliz? Muita pretensão? Não, só vontade de te ver feliz.



Creck postou às 02h08
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Jeitos de sonhador, frases de poeta. Cadê meu alvorosso deserrado?

alvoroço
do Cast. alborozo
   s. m.,
   inquietação;
   perturbação;
   sobressalto;
   entusiasmo;
   tumulto;
   motim.

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De certo, errado mesmo. As palavras que murmuram em meus ouvidos fechados, sóbrios neste silêncio todo renunciam tudo aquilo que, ponderadamente deveria levar às sólidas tritezas oportunas de tua vida representada em meus sonhos.
Causam desassossego às tendências generosas de meus olhares carinhosos... causam turbamulta em minha vida pronta a quitar-se. Uma zargalhada, inoportuna, turbamulta de bandido que assaz desilude as fraquezas dos dias de hoje, com as quais convivo teimosa e involuntariamente.
E assim, vou seguindo, e brincando com minhas dores, e com meus carinhos, e os desejos do ator que representa meu destino, como seguindo as vidas sujas de tuas indiferenças. O caso é que tens de ser indiferente, pelo modo como vejo e amo. O fato é que carece exatidão as virtudes tímidas que se escondem por trás de tuas espontaneidades todas. Às vezes, acabo acreditando que, assim se faz a vida, e assim se faz os homens. Por fim, acabo desistindo de pertencer aos desalvoroços todos àqueles que me fariam fixar em uma rotina estúpida e verdadeira, uma fila de trás pra frente para checar se nossas falhas foram realmente válidas para alguma coisa, se foram ao menos rapidamente úteis às tuas carências.



Creck postou às 03h47
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