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Aquela coisa de dar um nó na cabeça não recruta desvios democráticos, nem permite que se releve crenças e costumes para uma tentativa de paz naqueles momentos onde se deseja lenitivo de culpa, de poder fechar-se aos olhos de si próprio.

Xadrez de um reles culpado
Estava eu, pífio com meus sonhos reboando no vazio de minhas vãs idéias. Sonho de um pobre homem rico, o qual pede ao companheiro uma baixa quantia de réis para tomar um veículo coletivo... pensando bem, um cata-coco mesmo.
E, de tantos cocos apanhados na absoluta certeza de mais um dia de produção em massa, um dia de meretriz do mundo digital nesses tempos de hoje, lembrei-me daquelas divertidas tiras dos músicos fazedores de blues dos anos passados.
Faziam mais felizes e também mascaradas as tardes vazias do pub... pensando bem, do boteco mesmo.
Lá, com aquele sol fritando lá fora, e muito gelo nos copos ali dentro era fácil entender que um dia, os ordenados ruídos fariam algum sentido para alguém que gostasse de qualidade naquelas tramas - inventadas - de traições, de canalhismo, de poesia de gueto com realidade tão distante às nossas vidas como uma cédula com três algarismos estampados em algum de seus cantos.
Era óbvio que as tristezas iam e vinham, que o mundo rodava, e precisamente estaria novamente absorvendo minhas fraquezas para descarregá-la de algum modo mais tarde.



Creck postou às 01h30
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Dia da escada. Não que seja realmente o dia da escada, ou que algum desocupado o tenha decretado, mas de fato acredito que hoje seja mesmo o dia da escada. Com degraus que sobem, com decisões que descem... esteja a cabocla no aguardo, de soga nas mãos, ou olhos meticulosos e pés no chão.



Tez de opala
Então, resolvi subir a escada. Outrora, vinha de ti a dedicação para ver-me elogiando teus desencaixes com meus desencantos. Nesta hora, já não mostra-se de outra forma tal indelicadeza provida de minhas angustias.
Fui a cada degrau inclinando-me para o mundo que deixara pra trás, em baixo nível de geografia, de solidez, de momentos...
E, percebia a cada minuto que abdicava todas as emoções tardias das rabugentas noites que antes a amava com carinho, com profundos fogos e guarda-chuvas...
Guarda-chuvas negros e impermeáveis como tuas futuras atitudes, as quais eu pudera imaginar um dia, e sofrer sorrindo.
As escadas que me levam a ti, mostram uma superfície obscura, uma riqueza de umidade que, num desalento, lembro das promessas que um dia a fiz, e que sabemos ambos que nunca serão cumpridas.
Subo mais um degrau, e percebo que nenhuma perfuratriz entenderia que tais degraus fossem tão úteis, e tão desincumbidas. Úteis para teus desejos, porém sumario com estes degraus passados que toda a minha vida poderia estar provida e cultivada por aqueles que ainda estão por vir.
E lá em cima estás tu... inquieta ao esperar o término desta peregrinação, embora suponha mostrar-se fixa nos antepenúltimos. E eu, em meu manar lento e desencorajoso pelos seus pés, à visão que o ângulo me presenteia.
Olho para os degraus que para trás ficaram, e entendo que não faz sentido vê-la a passear ao sol, e o perfume que exala a todos, e em seu tijupá recolher-se do orvalho que a ofereceria, meio sem modos de fazê-la deitar pingos de harmonia, inteiramente feliz, intensamente vulgar, fechada aos olhos do mundo e aberta aos meus desejos e meus poetas.
Entendo que não sentes o calor dos raios de minha vida, não recolher as tristezas enrustidas de minha poesia; entendo que para trás meu destino me guia, e que as lembranças valem mais que teus olhares.
No meio da escadaria, tropeçando nos meus últimos degraus, a deixo em paz fingir acreditar que tua vida foste o combustível da minha, que nossos sonhos pudessem tomar vida, que nossa ignorância pudesse enganar o mundo.



Creck postou às 00h04
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Somente hoje fui perceber que nunca tinha usado o botão "excluir" do outlook. Não que faça tempo que eu não o usava, nem que nunca tenha deletado um email. Eu simplesmente nunca cliquei lá. A tecla "delete" é tão presente no teclado que o tão gracioso xis lá de cima parecia não existir até então.



O xis de cima
Uma vez que deixo o talento ir embora,
uma vez que preparo as caldeiras pra chuva,
uma vez que eu viva de viver, que não viva para notar nada
que possa ser fundamental para aquele desalento...
ou para a cura dele.

Uma vez que a tenha visto lá em cima, olhando...
olhando para cá, olhando para mim, olhando para tudo;
para as plantas lutando para não morrerem,
insistindo em mostrarem-se perfumadas
para agradar aquele ar poluído que gera a insignificância
dos teus olhares repetitivos, curvados...

A flora se enrijece, e mostra seu caráter,
os brinquedos que com graça faziam funcionar em ti,
As lembranças de um vazio inferior, nada faziam que eu entendesse
que uma posição tão plena e viva
queria que fossem vê-la, às vezes, em algum canto.


Creck postou às 21h18
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