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Sabe o que faz do artista um cavalheiro?
No banco de trás, estava caminhando pela rua, no meio da madrugada. E lá, vi os sujeitos doidos e sujos daquela terra, longe da civilização. Um cigarro aqui, um trago ali... uma motocicleta passando, e outra... e aquela rua que não tinha mais fim. Ora escura, ora toda brilhante e enfeitados os becos, mas ainda assim não tinha fim. E uma motocicleta passava, e outra... que saudades dos meus Charlie Parkers.

Becos de um idiota.
Uma lágrima querendo explodir no peito... mas longe da cara. Bem diferente da minha vergonha, que nela apresentava-se bem ali, estampada.
Sabe o que faz de um poeta um amante? Talvez seja preciso muita análise desse assunto. Talvez a vontade de partir a cara do sujeito que o ameaça ali. Talvez a vontade simplesmente de sumir, de nunca mais fazer aquilo que o coração manda, por obediência apenas. Queria apenas um carinho, uma palavra de afeto, pra tentar reequilibrar minhas atidudes. Atitudes? Elas são realmente o perigo que trava as obsoletas frases de um sonhador, de um imbecil que nada faz a menos querer ser feliz, e estupidamente tentar surpreender com suas atitudes idiotas. Não que suas atutudes sejam idiotas, mas elas acabam sendo por si próprias, por não conseguirem em hipótese alguma passar de uma "atitude".
Sabe o que faz de um artista um palhaço? Talvez seja preciso muita análise desse assunto. Por onde entrei foi a porta que me fez sair, e aquela cara de sorriso estampado que eu dava ali de presente quando entrei foi-se junto com as expectativas pelo ralo do chuveiro. Ao menos a água era estupidamente quente de boa.
Sabe o que faz um sonho ser real? Talvez seja preciso muita análise desse assunto. No banco de trás, caminhei à minha loucura, e encontrei minha possível lucidez para entender que fingira a mim mesmo que são de idiotas que se compõem o amor.
No banco de trás, nunca foi tão ruim não ser ignoradamente visto por nenhum táxi. Nesta noite, aprendi como não o fazia há muitos anos.



Creck postou às 02h53
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Quem não gosta de ser amado? Ser paparicado? Receber atenção especial, presentinhos e beijinhos doces?
Quem não gosta de surpresinhas gostosas, beijo na boca e abraços apertados?
Quem é que de livre e espontânea vontade prefere a solidão a uma boa companhia?

Pressa?
Luiz Fernando Veríssimo

Ora, todo mundo quer uma boa companhia e de preferência para o todo sempre. Mas conviver com essa "boa companhia" diariamente por 3, 5, 10, 15, 25 anos é que é o difícil. No começo dos relacionamentos e até 1 ano de vida amorosa tudo são mais ou menos flores, (se o seu elacionamento tem menos de um ano e já é mais de brigas e discussões, caia fora dessa fria). Não adianta você dizer que depois de três meses apenas que "encontrou o amor de sua vida", porque o amor precisa de convivência para ser devidamente testado.
Nesse mundo maluco e agitado, as pessoas estão se encontrando hoje, se amando amanhã e entrando em crise depois de amanhã. Uma coisa frenética e louca que tem feito muita gente, que se julgava equilibrada, perder os parafusos e fazer muita besteira.
Paixão, loucura e obsessão, três dos mais perigosos ingredientes que estão crescendo nos relacionamentos de hoje em dia por causa da elocidade das informações e o medo de ficar sozinho. As pessoas não estão conseguindo conviver sozinhas com seus defeitos, vícios e qualidades, e partem desesperadamente para encontrar alguém, a tal da alma gêmea, e se entregam muitas vezes aos primeiros pares de olhos que piscam para o seu lado. Vale tudo nessa guerra, chat, carta, agência, festas e até roubar o parceiro de alguém. É uma guerra para não ficar sozinho. Medo? Com medo de se encarar no espelho e perceber as próprias deficiências? Com medo de encarar a vida e suas lutas? Então a pessoa consegue alguém (ou acha que está nascendo um grande amor), fecha os olhos para a realidade e começa a viver um sonho, trancado em si. Mesmo, nos quartos e no seu egoísmo, a pessoa transfere toda a sua carência para o (a) parceiro (a), transfere a responsabilidade de ser feliz para uma pessoa. Que na verdade ela mal conhece. Então, um belo dia, vem o espanto, a realidade, o caso melado, o "falso amor" acaba, e você que apostou todas as
suas fichas nesse romance fica sem chão, sem eira nem beira, e pior: muitas vezes fica sem vontade de viver. Pobre povo desse século da pressa! Precisamos urgentemente voltar o costume "antigo" de "ter tempo", de dar um tempo para o tempo nos mostrar quem são as pessoas. Namorar é conhecer, é reconhecer, é a época das pesquisas, do reconhecimento ...
Se as pessoas não se derem um tempo, não buscarem se conhecer mais, logo em breve teremos milhares de consultórios lotados de "depressivos" e cemitérios cada vez mais cheios de suicidas "seres cansados de si mesmos ...".
Faça um bem para si mesmo e para os outros, quando iniciar um relacionamento procure dar tempo para tudo: passeie muito de mãos dadas, converse mais sobre gostos e preferências, conheça a família e mostre a sua, descubra os hábitos e costumes.
Parece careta demais? Que nada, isso é a realidade que pode salvar o relacionamento e muitas vidas.
Pense nisso e se gostar, passe essa mensagem para frente; quem sabe se juntos, não ajudamos alguém carente de amor a encontrar um motivo para ser feliz? Muita pretensão? Não, só vontade de te ver feliz.



Creck postou às 02h08
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Jeitos de sonhador, frases de poeta. Cadê meu alvorosso deserrado?

alvoroço
do Cast. alborozo
   s. m.,
   inquietação;
   perturbação;
   sobressalto;
   entusiasmo;
   tumulto;
   motim.

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De certo, errado mesmo. As palavras que murmuram em meus ouvidos fechados, sóbrios neste silêncio todo renunciam tudo aquilo que, ponderadamente deveria levar às sólidas tritezas oportunas de tua vida representada em meus sonhos.
Causam desassossego às tendências generosas de meus olhares carinhosos... causam turbamulta em minha vida pronta a quitar-se. Uma zargalhada, inoportuna, turbamulta de bandido que assaz desilude as fraquezas dos dias de hoje, com as quais convivo teimosa e involuntariamente.
E assim, vou seguindo, e brincando com minhas dores, e com meus carinhos, e os desejos do ator que representa meu destino, como seguindo as vidas sujas de tuas indiferenças. O caso é que tens de ser indiferente, pelo modo como vejo e amo. O fato é que carece exatidão as virtudes tímidas que se escondem por trás de tuas espontaneidades todas. Às vezes, acabo acreditando que, assim se faz a vida, e assim se faz os homens. Por fim, acabo desistindo de pertencer aos desalvoroços todos àqueles que me fariam fixar em uma rotina estúpida e verdadeira, uma fila de trás pra frente para checar se nossas falhas foram realmente válidas para alguma coisa, se foram ao menos rapidamente úteis às tuas carências.



Creck postou às 03h47
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É aquela coisa que a gente começa a catar...
pedacinho aqui, outro ali...
às vezes, não se sabe bem o porquê,
mas o bichinho se espatifa na vida,
e se começa a pensar sobre as coisas que acontecem.
Um dia aqui, outro ali...
e o mundão dá aquelas voltas todas,
atordoando quem nele se equilibra com bravura.

Juntas de coração
De repente, o coração precisa de reparos.
Também, da forma que ele acaba ficando, assim, remendado...
costurado...
De repente, o coração feliz esquenta... e esquenta...
e o sangue toma suas dores, e seu calor.
E as veias ficam preparadas para tal temperatura,
e os braços tremem...
quase tanto quanto as pernas.
E o rosto se avermelha, e os olhos se estatelam.
E a cabeça já não mais obedece as obrigações.

De repente, as coisas que mais pareciam se encaixar,
e estariam definidas, e resolvidas
Mudam como a água que se evapora.
E o chão, de repente some.
E o mundo, de repente se revela.
E as nuvens aparecem, assim,
de repente...
e as pessoas ficam diferentes,
e tudo, de repente dessatura.
Num dia, depois de algumas horas,
num dia, depois que ele começa, e vai aos poucos se esgotando
num dia bom para que se acorde bem, e com humor, e com força.
Num dia frio, dia que as coisas parecem estar equilibradas,
dia que morre a curta previsão do destino.
Dia bom para que se fique insensato, imaturo.
Dia bom para dormir, e esquecer o que a gente quer, de verdade.
E sentir outra vez, que o sentido da lógica sumiu de novo,
parecendo não mais voltar.
E que amanhã, o coração se junte de novo,
para que ele fique pronto pra outro impacto.



Creck postou às 17h01
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Todos os sentimentos me envolvem ao anoitecer.
Coisa de agonia, de ficar esperando...
Quando vai chegando lá pelas oito horas da noite,
de repente meu coração começa a pulsar mais, e mais...
e não sossega enquanto não encontro algo pra fazer.

Falsas flores
As estrelas da noite que, nesta terra se escondem, tímidas
revelam-se umas às outras, aparentemente fortes e pulsantes.
Tímidas, como me sinto quando estás próxima de mim,
proxima de minha vida,
próxima de meus desejos.
Porém, tão longe de meus maiores objetivos.
E pulsam, e fortes, e batem forte no meu peito, as estrelas,
como se fossem um coração ansioso.
E brilham com suas próprias luzes, crescentes, hipnóticas,
como os olhos que revelam Eli, de foco nos meus, de carinho,
de indecisão.
Quiçá devera eu entrar em conclusão comigo mesmo, e dispor as mais singelas vidas naturais que ebulem aqui dentro,
ou ainda, repentinamente entender que as estrelas não se cobrem por acaso.
Quiçá, deveras tu, partir em modificação radicalista e de esquerda a vida que, sutilmente levas com toda a tal responsabilidade, de poeta sem querer... pois poeta vive de sonhos e lamentos...
Ou, portar-se não mais como a estrela que brilha meus olhos quando vêem que tal estrela, solúvel se disfarça a beijar aquela que bate dentro do meu princípio.

Então, insanamente a terra se seca, e o sol não mais arde.
A água já não faz mais algum sentido, as folhas não mais exalam o orvalho que tanto as bruxas consomem.
A vida se vira, os olhos se anulam, as frase se contorce não certo mais, teimando em não ter sentido algum.
E as flores...
As flores podem não mais viver de dor, nem de carinho, nem de rancor. As flores podem não mais exalar teu sabor, tua cor.
E ainda assim, elas representam, embora murchas, embora falsas, embora flores que não mais morram,
representam o carinho que percebe as estrelas tímidas,
o carinho que tenho, que ignora a terra seca...
o carinho que tenho por viver por pensar e lembrar de seu rosto,
o carinho que tenho por você, que viverá tão grande e longo
como as vidas das falsas flores que o mundo nos presenteia.

E quanto mais falsas as flores,
mais intenso o amor entre os homens, e fortalece.



Creck postou às 18h15
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Isso reflete o que, no banco de trás conseguimos raciocinar.
Coisas que eu faço, que tu fazes...
que o mundo todo faz.
Muitas vezes enrustido, porém, para se fazer não basta muito.

[A vida é a coisa mais preciosa que eu tenho o prazer de fazer...
vivê-la.]

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha
Esperando o ônibus da escola sozinha
Cansada com minhas meias três quartos
Rezando baixo pelos cantos
Por ser uma menina má
Quem sabe o príncipe virou um chato
Que vive dando no meu saco
Quem sabe a vida é não sonhar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Bobeira é não viver a realidade
E eu ainda tenho uma tarde inteira
E eu ando nas ruas
Eu troco cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo pra cantar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Eu ando nas ruas
Eu troco cheque
Mudo uma planta de lugar
Dirijo meu carro
Tomo o meu pileque
E ainda tenho tempo pra cantar
Pra cantar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Eu sou poeta e não aprendi a amar

fonte:
Cmposição: Cazuza / Frejat
intérprete: A genialidade de Cassia Eller.



Creck postou às 04h57
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Cada vez que percebo as luzes rodeando meu corpo,
de quentes noites de lua... e luzes naturais de transformação.

Luz de Lua
Luzes que, quentes as fazem sentir-nos aqui, desprotegidos de mal.
Desprotegidos de bondade, de tristeza também.
Nus. Como a lua cheia que se pindura no céu lá em cima... à noite, e às vezes de dia.
Dia que ainda não se fez ir embora, dia que reconstitui nossas forças horas depois...
...hora de volta. de revolta.
E a paz se encontra na vida calma e tranquila que reluz a lua, de luz...
de luz própia...
...de luz sobre nós e nossos corpos adormecidos pelo impacto das almas que nos seguem...
De trás, que vem, outrora, sem ninguém por perto é quem faria a lua feliz, de dia...
...de sutra, de quarto, de quinto, de cama para repousar.
De trás quem vem, outrora de recíproca frase doce e impura... de barrancos incorrigíveis pela natureza simpática e dura... e fria...
natureza de vida. Natureza tua, vida minha.
Natureza de lua chata que não nos deixa viver em paz...
sem preturbar que a lua nos traz.
Sem nos deixar, insistentemente olhar e recomeçar... e trocar de lado as praias abertas do passado...
...de lua feia, que nos encanta, e nos faz lembrar de sentimentos puritanos, infantis...
de atitudes imaturos, lua...
Lua.
Lua que mostra as bruxas que sobrevivem dela...
do mundo que faz dela a luz de cada passo no escuro.
Lua, que existe para que eu possa sentir e sorrir a cada folha verde que encontro, e que passa, e que cheira.
Que cheira o verde nas narinas sonhadoras deste moço do blues inquieto, que não pode sossegar em se acalmar ende está.
...e lá, volto a ver o que o mundo me apresenta naquela hora, naquela noite.
E as luzas, tão impacientes quanto meus desejos e sonhos...
...sonhos de lua. Abundante, gigante...
bom pra palavras curtas e profundas.
Boa noite.



Creck postou às 21h28
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Com a aparência do clown, eles se divertem.
E vivem, e iludem...
e se auto-iludem também.
Vêem o mundo sem cores,
embora eles tragam neles todas elas.

Rock dos clowns
Com aqueles sorrisos sutis
o palhaço traz alegria ao povo.
E pula, e brinca, e vê
e morde, e corre.
E rola, e deita, e morto.
E chora.
Ele confia no sorriso inocente
da menina, do menino,
do mundo amarelado.
Ele abdica o que chamam de dignidade,
de postura,
de imponência.
Ele abdica as tristezas... naquele momento
onde sabe sua obrigação de palhaço.
Ele mostra que é feliz... sabe que a vida faz da gente
uma espécie de enxaqueca crônica.
Porque a sua dor nunca vai embora.
Ele tem que mostrar a todos as cores infinitas
para que não morra quando está sozinho,
de tristeza, de ansiedade,
de dor.
No rock dos clowns, ele sobrevive,
lutando contra suas vontades
e passa cada dia se lembrando
daquele sorriso da menina de ontem,
esperando acontecer um novo sorriso hoje...
e assim vai...
andando...
e olhando o mundo...
...e se vendo nele.



Creck postou às 23h04
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Naquele fundo de luzes,
e ainda, criando mais uma,
vi uma linda mulher.
Com lindos cabelos
e lindos olhos
focados pra mim
com suas lentes...
lentes naturais de pupilas
e artificiais de câmera.

Olhos Digitais.
Vi uma linda mulher,
com lindos cabelos
e lindos olhos
focados pra mim
com suas lentes...
lentes naturais de pupilas
e artificiais de câmera.
Uma moça simpática,
proposta a dar um sorriso
para os meus olhos naturalmente abertos,
e bem abertos,
e castanhos.
E bem castanhos,
a mostrar para a linda moça,
que estava atrás daquela tela digital
mostrar os olhos dela nos meus,
a refletir.
Para que?
Por nada.
Por um sorriso somente.
Sorriso sincero,
sorriso de nada...
...sorriso de alegria,
de dia bom que adormece
e transforma em noite
para que nela, a noite
os pares de olhos,
castanhos,
possam brilhar mais, e mais,
e um par mais aberto que o outro...
naturalmente abertos.
E para quê?
Por nada.
Por estarem alegres apenas.
Uma moça simpática,
proposta a dar um sorriso
para os meus olhos naturalmennte abertos,
e bem abertos,
e castanhos,
e bem castanhos,
a mostrar para a linda moça,
que estava atrás daquela tela digital
mostrar os olhos dela nos meus,
a refleir...
para que?
Por nada...
Por um sorriso somente.
Sorriso sincero,
sorriso de nada.
Sorriso de alegria,
de dia bom que adormece
e transforma em noite
para que nela, à noite
os pares de olhos
castanhos
possam brilhar mais, e mais.
E um par mais aberto que o outro,
naturalmente aberto...
e para quê?
Por nada...
Por estarem alegres apenas.
Por ali estarem,
e ali se cruzarem.
Para quê?
Para um sorriso apenas.



Creck postou às 20h26
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Olhos de lua, de dia frio...
olhos de dia que faz um solzinho maroto,
tão maroto quanto a forma com que me apresento,
como demonstro meus interesses, assim, como quem não quer nada.
Um solzinho que tenta esquentar a fria noite que faz não me importar.
Um solzinho que, depois de tudo, mostra que no frio é que se cuida,
no frio se sujeita, se abdica e se esquenta...
porém, com vestes de realidade, para que nada de errôneo ocorra.

Olhos de vida
No banco de trás, teus olhos me iluminavam. E fascinavam, embora não tenha tido coragem de vê-los com atenção. Olhos claros, acendiam os meus de vez em quando, mas era fato que eu teria que especular o que eles viam, com detalhes. Algum dia, a minha esperança fazia-me crer que pudesse analisá-los com calma. Mesmo que com meus lábios, com meu pulsante coração ardia para senti-los ali, o acariciando com belas e encantadoras frases que não mais se acabavam. Eram tantas, que meus ouvidos se surpreendiam cada vez mais.
De férteis, os olhos, eles puderam generosamente mostrar aquele céu azul encantador, naquela hora da noite, e abreviavam também o que não faziam muito sentido.
De ombros armados, de vestes singelas, de ousadia de cor nos dedos, de encanto em franzir a testa, ou abaixar suavemente a sobrancelha direita quando algo a chamara a atenção.

E finalmente desvendei uma minúscula parte de seus mistérios. Tais mistérios comuns, coisas como ver seus olhos de forma mais profunda, quase por dentro. Era tempo de entreter-me por trás das lentes de seus óculos, aqueles pouco segundos de exposição explícita, no meio da noite, no foco de vizinhos, e de olhos curiosos, a procura de algo que não sabem ao certo de que se trata.

Mas, o que interessa é que, pude deitar-me e fazer curar minha dor de cabeça por adormecer profundamente, com um pequeno, mas constante sorriso no canto dos lábios, meio que não acreditando no que acontecera, e que é possível acontecer aquilo que mais desejava, por fazer levar os sentimentos com as mais puras e sinceras das intenções.



Creck postou às 23h55
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Quando o belo atinge nossas pestanas,
por elas mesmas se abdicarem,
do mundo, da poesia,
da vida,
Entramos num colapso enriquecedor
para que de todas as belezas do mundo
não evitem meu descaso a elas.
E assim, manter-me inconsciente
para amar-te mais profundamente.

Terra Fértil
Entrei na realidade novamente. Quando sonhava com o solo fértil, lembrei-me que as plantas não nascem naquela seca insuportável. Levei dela um balde de areia fria, para colocar-me em meu lugar. Embora tenha muito orgulho de suas atitudes, tive uma breve recordação de todas as sementes que eu plantara, sem êxito em vê-las crescendo... cresciam e morriam, não se importando com minha teimosia em vê-las sorrindo para o sol a cada dia.

Toda vez que acordava, torcia e pedia a Deus para que eu me surpreendesse com uma pequena muda que fosse. Mas nada. Desperdiçara tempo, créditos e esperança em busca de um satisfatório plantio.
Olho para cima, um sol de arrepiar. Seco com um lenço velho algumas gotas de suor em meu rosto, já calculando meus próximos afazeres. Largo a enxada em um canto da vida e ponho-me a fazer minha refeição do dia. Na verdade, é a única tarefa que me vem a assombrar. A fome é tanta, que desisto de pensar em trabalho. Apenas por enquanto, porque o sol clama a minha presença para extrair todo meu liquido, assim como um vampiro encomprida os olhos a encontrar uma moça nova e inocente. O sol espera. E eu me alimento.

A caminho da cozinha, tudo que se inova naquele momento é o som de minhas botas no assoalho velho de madeira. Velho, mas brilhando, sinal de capricho de minha senhora. Tábuas largas e algumas frestas lembram-me o ciclo do amor. Algumas tão próximas, quase a encavalar-se, provando a toda a comunidade que foram feitas uma para a outra, num romance interminável. Enquanto parte do assoalho se beija, do outro lado, bem próximo à parede, uma fresta considerável. Tantos anos uma ao lado da outra, porém não parecerem ter boa convivência.
Árdua convivência que não vejo na bela mulher que meus olhos percebem ao invadirem a cozinha. De costas, a bolir na pia, mostra obviedade em ter me ouvido, logo quando entrei no corredor. Percebendo fortalecer o som daqueles passos, olha-me com um sorriso, como quem já esperava minha presença rotineira. Como de costume, e seguindo a teoria de nossas criações, demonstra interesse em saber meu humor.
- Como foi sua manhã?
- Eu compreendo.
- Mas nem uma mudinha sequer?
- Eu respeito.
- Que pena... mas amanhã é um novo dia, e tudo há de melhorar.
- Eu tolero.
Sigo em sua direção e tradicionalmente sinto seus lábios fervendo, doce como um pêssego para exportação.
- Hoje o Sentido veio até aqui. Veio procurar por você, mas você estava cuidando da plantação. Parece que ele tinha algo muito importante pra lhe dizer.
- Eu compreendo.
- Pois é, eu também acho. Aliás, percebi que ele estava meio abatido, talvez seja a Perfeição, você não acha?
- Eu respeito.
- É, deve ser difícil conviver com alguém tão exigente mesmo. Talvez seja a situação que eles estão passando, isso abala qualquer pessoa.
- Eu tolero.
Sento-me à mesa e começo a me servir daquela suculenta comida feita na hora. Ela vem logo após, para fazer-me companhia na refeição.
Logo na primeira garfada noto algo deferente, me parece mais encorpado o tempero, mais saboroso o arroz e mais colorida a salada. Irresistivelmente, a vontade de fazer um elogio me foge pelos dentes, e demonstro minha satisfação.
Docilmente recebo em troca um olhar profundo, com um brilho nos olhos e mais um sorriso irresistível. Lembro-me dos primeiros anos de namoro, quando seus olhos raramente brilhavam e nenhuma informação de idéia ou intenção chegava a meu conhecimento. Naquela época tínhamos uma roseira num canteiro da casa, onde minha mãe regava diariamente. Sempre havia uma rosa a esperar por carinho das pessoas que ali passavam, e o meu amor dava um beijinho nela todas as tardes. Não tinha perigo da rosa não ganhar um afeto, apenas quando ela desaparecia por algum tempo. A roseira era o espelho de sua beleza; quando murchava, podia ter certeza que ela estava em busca de liberdade.
Para interferir o silêncio que ali vigorava, resolvi fazer uma pergunta bem profunda:
- Eu compreendo?
Pensativa, ela olha bem em meus olhos e responde com convicção:
- Obrigada por esperar.
Me aprofundando um pouco mais:
- Eu respeito?
Agora já mais emocionada dispara:
- Se não fosse nosso amor, nada seria possível.
Querendo finalizar, coloco meu último elogio:
- Eu tolero?
Abrindo um sorriso do tamanho do sol que me ardera há pouco lá fora, ela se identifica com minha perseverança:
- Eu entendo tudo que você me fala, de um jeito ou de outro, nem que hoje, nem que amanhã.
Mastigando a última esperança de arroz do prato, involuntariamente explodo de carinho:
- Eu te amo.



Creck postou às 21h31
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Aquela coisa de dar um nó na cabeça não recruta desvios democráticos, nem permite que se releve crenças e costumes para uma tentativa de paz naqueles momentos onde se deseja lenitivo de culpa, de poder fechar-se aos olhos de si próprio.

Xadrez de um reles culpado
Estava eu, pífio com meus sonhos reboando no vazio de minhas vãs idéias. Sonho de um pobre homem rico, o qual pede ao companheiro uma baixa quantia de réis para tomar um veículo coletivo... pensando bem, um cata-coco mesmo.
E, de tantos cocos apanhados na absoluta certeza de mais um dia de produção em massa, um dia de meretriz do mundo digital nesses tempos de hoje, lembrei-me daquelas divertidas tiras dos músicos fazedores de blues dos anos passados.
Faziam mais felizes e também mascaradas as tardes vazias do pub... pensando bem, do boteco mesmo.
Lá, com aquele sol fritando lá fora, e muito gelo nos copos ali dentro era fácil entender que um dia, os ordenados ruídos fariam algum sentido para alguém que gostasse de qualidade naquelas tramas - inventadas - de traições, de canalhismo, de poesia de gueto com realidade tão distante às nossas vidas como uma cédula com três algarismos estampados em algum de seus cantos.
Era óbvio que as tristezas iam e vinham, que o mundo rodava, e precisamente estaria novamente absorvendo minhas fraquezas para descarregá-la de algum modo mais tarde.



Creck postou às 01h30
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Dia da escada. Não que seja realmente o dia da escada, ou que algum desocupado o tenha decretado, mas de fato acredito que hoje seja mesmo o dia da escada. Com degraus que sobem, com decisões que descem... esteja a cabocla no aguardo, de soga nas mãos, ou olhos meticulosos e pés no chão.



Tez de opala
Então, resolvi subir a escada. Outrora, vinha de ti a dedicação para ver-me elogiando teus desencaixes com meus desencantos. Nesta hora, já não mostra-se de outra forma tal indelicadeza provida de minhas angustias.
Fui a cada degrau inclinando-me para o mundo que deixara pra trás, em baixo nível de geografia, de solidez, de momentos...
E, percebia a cada minuto que abdicava todas as emoções tardias das rabugentas noites que antes a amava com carinho, com profundos fogos e guarda-chuvas...
Guarda-chuvas negros e impermeáveis como tuas futuras atitudes, as quais eu pudera imaginar um dia, e sofrer sorrindo.
As escadas que me levam a ti, mostram uma superfície obscura, uma riqueza de umidade que, num desalento, lembro das promessas que um dia a fiz, e que sabemos ambos que nunca serão cumpridas.
Subo mais um degrau, e percebo que nenhuma perfuratriz entenderia que tais degraus fossem tão úteis, e tão desincumbidas. Úteis para teus desejos, porém sumario com estes degraus passados que toda a minha vida poderia estar provida e cultivada por aqueles que ainda estão por vir.
E lá em cima estás tu... inquieta ao esperar o término desta peregrinação, embora suponha mostrar-se fixa nos antepenúltimos. E eu, em meu manar lento e desencorajoso pelos seus pés, à visão que o ângulo me presenteia.
Olho para os degraus que para trás ficaram, e entendo que não faz sentido vê-la a passear ao sol, e o perfume que exala a todos, e em seu tijupá recolher-se do orvalho que a ofereceria, meio sem modos de fazê-la deitar pingos de harmonia, inteiramente feliz, intensamente vulgar, fechada aos olhos do mundo e aberta aos meus desejos e meus poetas.
Entendo que não sentes o calor dos raios de minha vida, não recolher as tristezas enrustidas de minha poesia; entendo que para trás meu destino me guia, e que as lembranças valem mais que teus olhares.
No meio da escadaria, tropeçando nos meus últimos degraus, a deixo em paz fingir acreditar que tua vida foste o combustível da minha, que nossos sonhos pudessem tomar vida, que nossa ignorância pudesse enganar o mundo.



Creck postou às 00h04
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Somente hoje fui perceber que nunca tinha usado o botão "excluir" do outlook. Não que faça tempo que eu não o usava, nem que nunca tenha deletado um email. Eu simplesmente nunca cliquei lá. A tecla "delete" é tão presente no teclado que o tão gracioso xis lá de cima parecia não existir até então.



O xis de cima
Uma vez que deixo o talento ir embora,
uma vez que preparo as caldeiras pra chuva,
uma vez que eu viva de viver, que não viva para notar nada
que possa ser fundamental para aquele desalento...
ou para a cura dele.

Uma vez que a tenha visto lá em cima, olhando...
olhando para cá, olhando para mim, olhando para tudo;
para as plantas lutando para não morrerem,
insistindo em mostrarem-se perfumadas
para agradar aquele ar poluído que gera a insignificância
dos teus olhares repetitivos, curvados...

A flora se enrijece, e mostra seu caráter,
os brinquedos que com graça faziam funcionar em ti,
As lembranças de um vazio inferior, nada faziam que eu entendesse
que uma posição tão plena e viva
queria que fossem vê-la, às vezes, em algum canto.


Creck postou às 21h18
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